A importância de uma coordenação local séria no combate aos problemas do COVID-19

Estamos vivenciando provas concretas relativas à ausência de políticas locais proativas para a solução de problemas que afligem a população no âmbito do país. Não é novidade que a globalização exige esse tipo de comportamento local na formulação de políticas de combate à desigualdade socioeconômica. Entretanto, na prática podemos observar a fragilidade dessas estruturas públicas locais.

Dentre uma infinidade de exemplos, vou centrar a análise na ação do governo federal, referente ao auxilio emergencial de R$600,00 a autônomo, informais, etc. A operacionalização caótica dessa medida levou milhares de pessoas a se aglomerarem por todo o país, exatamente em um momento crucial de isolamento em defesa da saúde, pela grave pandemia. Os resultados parciais indicam que um grupo expressivo de beneficiários ainda não tive acesso ao dinheiro, enquanto os riscos de contaminação pelo coronavírus foram aumentados.

Esse dilema é resultado da falta de uma política de coordenação. A estratégia de direcionar os recursos para a conta de cada indivíduo é saudável para evitar corrupção, entretanto também não pode ter sucesso ignorando os substanciais diferenças individuais. É uma utopia imaginar que indivíduos ultra necessitados vão se organizar em frente a um banco para receber dinheiro, por outro lado, também não é razoável imaginar que essas pessoas terão facilidade em baixar aplicativos, consultar internet, etc. Meu Deus, uma parcela expressiva dessas pessoas vive em barracos improvisados com materiais diversos, não tem água encanada e tudo que precisam é de comida, já que a possibilidade de “bicos” para a alimentação diária da família foi cessada.

A solução então seria a coordenação desse processo pela ação local. Os municípios estão organizados em secretarias e normalmente com uma estrutura de pessoal super dimensionada. Vou trabalhar com um exemplo real. O município de São João da Barra-RJ, local onde escrevo esse artigo, tem em torno de 35 mil habitantes e uma estrutura pública composta por 20 secretarias.

Outros instrumentos como Centro de Referência da Assistência Social-CRAS e Fundação Leão XIII, além da própria secretaria de Assistência Social, são estruturas que deveriam contar com um cadastro sério e atualizado da população necessitada do município. Nesse caso, as pessoas não precisariam nem se deslocar para nenhum lugar, já que esse arsenal de servidores poderia resolver todos os problemas. Seriam sanadas as dificuldades de ordem documental e de cadastramento para atualização do cadastro nacional, resolvendo assim os problemas da desaglomerarão “bate” cabeça das pessoas, com o benefício da transferência do dinheiro, assim como, a minimização dos riscos de contaminação do coravírus. Simples assim, a estrutura púbica local faz a diferença quando atua com responsabilidade, eficiência e comprometimento.

Alcimar das Chagas Ribeiro
Sobre Alcimar das Chagas Ribeiro 1234 Artigos
Economista, mestrado e doutorado em Engenharia de Produção e Pós-doutorado em Economia. Professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - UENF

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