Agricultura temporária sem a cana-de-açúcar em Campos

Conforme a nossa indicação anterior, o processo de deterioração das atividades agrícolas no município de Campos dos Goytacazes tem avançado de forma significativa. A participação relativa da área colhida, em relação ao estado, caiu de 34,6% em 2010 para 24,74% em 2016 e a participação relativa do valor monetário caiu de 13,62% para 7,72% no mesmo período. Importante observar que em 1980 a área colhida em hectare no município representava 34,77% e o valor monetário representava 30,35% no total do estado do Rio de Janeiro.
No aprofundamento da análise vimos que nos últimos quarenta anos a concentração agrícola na cultura da cana-de-açúcar foi nítida e a retração de sua área colhida, ao longo do tempo, não encontrou culturas substitutivas. Ao contrário, a redução da área de cana-de-açúcar se deu, concomitantemente, com a redução da área colhida de outras culturas temporárias de menor expressão.
Conforme podemos observar no gráfico, a área colhida da lavoura temporário, excluída a cana-de-açúcar, entre 1983 e 1986 alcançou o pico de 11 mil hectares aproximadamente, regredindo potencialmente até chegar a 492 hectares em 2016. As culturas representativas no período de 1983 a 1986 foram: arroz com 3.050 hetares em 1983 e 2.900 hectares em 1986; feijão com 2.550 hectares em 1983 e 1.550 hectares em 1986 e milho com 4.800 hectares em 1983 e 5.600 hectares em 1986. Essas importantes culturas foram abandonadas, segundo os dados de 2016 do IBGE.
O gráfico ao lado apresenta a produção em toneladas das culturas temporárias no município. Foram produzidas 28.923 toneladas em 1983 (9.150 toneladas de arroz, 1.103 toneladas feijão, 4.800 toneladas de milho, 10.920 toneladas de mandioca, 1.365 toneladas de batata doce, 864 toneladas de abacaxi, 675 toneladas de tomate, 28 toneladas de melancia e 18 toneladas de melão).
Já no ano de 1986 fora produzidas 26.403 toneladas, sendo (990 toneladas de abacaxi, 8.700 toneladas de arroz, 1.248 toneladas de batata doce, 195 toneladas de feijão, 10.500 toneladas de mandioca, 17 toneladas de melancia, 12 toneladas de melão, 3.791 toneladas de milho e 950 toneladas de tomate.
Os últimos dados do IBGE mostram que a cultura temporária no município se exauriu no tempo. Dos 492 hectares colhidos (excluída a acana-de-açúcar), 270 hectares foram destinados a mandioca, 210 hectares ao abacaxi, 8 hectares a batata doce e 4 hectares ao tomate.
Conforme o quadro definido, a recuperação do setor depende de um esforço concentrado, sistêmico e com real comprometimento das lideranças locais / regionais.
Alcimar das Chagas Ribeiro
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Economista, Mestre e Doutor em Engenharia de Produção. Professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense

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