Conflito politico e desinformação: um mal que atinge o país

O conflito político no Brasil é pernicioso, descaracteriza conceitos econômicos fundamentais e gera desinformação que confunde a sociedade. Dificilmente encontramos uma análise econômica sem a contaminação dos efeitos ideológicos viciados. Os últimos fatos explicam muito bem essa situação perversa.

Os críticos ao neoliberalismo ou ao que chamam de ultra liberalismo não conseguem entender que esse é um discurso da academia e que na prática a situação é bem diferente. Na verdade, não existe mercado sem governo ou o contrário. Mercados geram riqueza para atender a sociedade e quando uma parte da sociedade não se insere, o governo precisa de políticas para equacionar o problema. Essa a tese!

No momento atual, os gestores tem que lidar por exemplo como a exigência constitucional de restrição de gastos (Lei do teto de gastos) e a necessidade de atender parte importante da população desprotegida e pressionada por uma pandemia que já dura quase dois anos.

Interessante é que no momento em que o governo liberal formula estratégias de apoio social, a crítica que antes exigia maiores gastos com base na visão keynesiana e crucificava a Lei de teto de gastos, agora questiona o governo que define novos gastos sem a devida origem, na visão dos mesmos. Aqui podemos identificar contradições evidentes!

Para ser mais claro, esse grupo questiona a constitucionalidade da Lei de teto de gastos com a justificativa que a mesma afeta os menos favorecidos e, ao mesmo tempo, questiona a decisão governamental de liberar recursos para o social. Veja que o governo dentro das práticas democráticas busca flexibilizar o orçamente para atender aos menos favorecidos, equacionando os dois problemas, ou seja, mantendo o teto de gastos e transferindo recursos para a parcela da sociedade em condições de precariedade.

Entendo que o denominado orçamento de guerra do ano passado para combate a pandemia não deveria ser descontinuado, já que os reflexos da pandemia costumam durar. Refazer a estrutura produtiva leva tempo e esse fato não foi considerado pela classe política (Legislativo e Executivo). Por outro lado, o país não se resume a Brasília. Os estados e municípios precisam melhorar o seu padrão de eficiência de gestão pública na busca da solução para o grave problema de desigualdade social que é latente.

Alcimar das Chagas Ribeiro
Sobre Alcimar das Chagas Ribeiro 2015 Artigos
Economista, mestrado e doutorado em Engenharia de Produção e Pós-doutorado em Economia. Professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - UENF

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