Indicações para o desenvolvimento local em SJB

Quando falamos da politica de desenvolvimento regional/local, onde a base fundamental deve ser os recursos tangíveis e intangíveis disponíveis, parece algo distante em função da dificuldade em encontrar experiências empíricas bem estruturados, especialmente, em regiões periféricas. Instituições fragilizadas, desorganização da sociedade e baixo interesse político, são os reais elementos e inibidores desse processo.

Apesar dessa constatação não devemos deixar a discussão de lado. A melhor estratégia é apontar possibilidades potenciais de transformação. É exatamente o que trago para reflexão nesse texto. Dois exemplos poderiam ser apoiados pelas lideranças interessadas no desenvolvimento de São João da Barra. O primeiro, observado na solução de um grave problema de poluição no rio Paraíba do Sul. Trata-se da carapaça do camarão, resíduo do seu processamento, que é abandonada no leito do rio entre Gargaú e São João da Barra. Esse lixo, rico em minerais e proteínas, gera a quitina que através de processos químicos produz a quitosana. O resultado pode ser a produção de açúcar e etanol, segundo pesquisas da Universidade Federal do Tocantins em parceria com o Instituto Federal do Tocantins. Segundo os estudos, esse biopolímero é muito utilizado nas áreas farmacêuticas, médica e química e agora com a pesquisa, a transformação da quitina em açúcar.

Uma segunda alternativa diz respeito a ausência de sensibilidade das lideranças que permite que recursos potencialmente importantes se tornem em algo totalmente invisíveis. É o caso do excelente profissional em mecânica Agenor Pinto (Nonozinho) que é capaz de construir invenções transformadoras, tanto no campo econômico, quanto no do crescimento intelectual dos jovens que contam com baixo incentivo das autoridade municipais. Vejam as imagens a seguir.

Oportunidades como essas devem ser consideradas como insumos fundamentais para o planejamento de negócios, com geração de riqueza, emprego e renda localmente. Vejam que estamos falando de recursos locais que precisam sair do estagio em que se encontram para um estagio acima e, não necessariamente, a vontade do ator, isoladamente, é suficiente. Na politica de desenvolvimento regional/local, é necessário conhecimento cientifico, um bom planejamento de Governança, participação do governo e de outros atores com interesse comum. Aliás, um processo de desenvolvimento gera externalidades positivas que beneficiam todos os setores da sociedade. Pelo fato do processo estar ancorado nos recursos locais, o poder de inserção é muito ampliado, ao contrário dos investimentos de fora ancorado em recursos naturais. Esses geram riqueza excluindo a população. Vejam os casos das atividades petrolífera e portuária.

Alcimar das Chagas Ribeiro
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Economista, Mestre e Doutor em Engenharia de Produção. Professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense

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