Interrupção da produção de petróleo no mundo e reflexos no preço do barril

Os ataques as bases petrolíferas da Arábia Saudita interrompem parte importante da produção de petróleo, cerca de 6% do consumo mundial, mas não deve alimentar o pessimismo alardeada. Primeiro é importante olhar para a economia mundial que apresenta uma demanda fraca por óleo, dado a dificuldade de crescimento. Outro elemento importante é a desaceleração do crescimento da China que associado ao aumento da oferta mundial de petróleo, descarta qualquer pressão mais substancial de demanda e escalada altista do preço do petróleo.

No caso do Brasil, é importante observar que a evolução do pré-sal em 10 anos de produção, conseguiu ultrapassar a produção do pós-sal em operação a 40 anos. Em junho de 2019, a produção no pré-sal representou 59,33% da produção nacional, enquanto a produção no pos-sal representou 40,67% do total.

Outro dado importante é o saldo superavitário na relação de comércio exterior envolvendo óleo bruto de petróleo do país. No primeiro semestre de 2019, o país exportou US$15,63 bilhões de petróleo, contra US$3,22 bilhões de importação, gerando um saldo superavitário de US$12,41 bilhões no período. Conforme podemos verificar a Petrobrás deve se beneficiar com a valorização, mas os derivados consumidos internamente sofrerão aumento de preço.

Apesar de cedo ainda para uma avaliação mais profunda, acredito que não existe ambiente para uma evolução persistente do preço internacional do petróleo. A economia mundial tem apresentado um crescimento fraco e existem fundos de estoque de petróleo, tanto nos Estado Unidos como no Oriente, que empurrarão o preço do barril para o equilíbrio.  

Alcimar das Chagas Ribeiro
Sobre Alcimar das Chagas Ribeiro 916 Artigos
Economista, mestrado e doutorado em Engenharia de Produção e Pós-doutorado em Economia. Professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - UENF

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