Menos crédito agrícola e mais pobreza no campo e na cidade em São João da Barra

A instalação do porto do Açu em São João da Barra, município de características agrícola, exigiu a definição de medidas compensatórias para mitigação dos impactos ambientais, sociais e econômicos. Especialmente nas atividades agropecuárias, as medidas pactuadas precisariam ter sido implantadas, fundamentalmente, porque o território nas imediações do porto passou por um processo brutal de desapropriação das terras agriculturáveis para, teoricamente, dar vida a um distrito industrial.

Hoje, podemos verificar que as terras estão abandonadas e a atividade agrícola drasticamente fragilizada. O gráfico acima apresenta a trajetória da participação percentual do crédito agropecuário no crédito total. Podemos observar claramente a desaceleração do crédito para investimento e custeio na produção agropecuária no município que chegou a 20,12% em 2005 e 17,37% em 2006, um ano antes da instalação do porto do Açu em 2007. A partir desse ponto a trajetória de queda foi substancial, alcançando os piores resultados durante o ápice do processo de desapropriação a partir de 2011. Em setembro de 2019 o crédito atingiu somente 3,96% de participação do crédito total ofertado no município.

É importante que a população entenda que essa questão representa perda de trabalho produtivo e maior dependência de importação de alimentos. A fragilização do setor representa ainda menos renda para os produtores que abandonam a atividade, aumentado a dependência em relação ao poder público. O comércio local também perde e muito com a fragilização da atividade produtiva. É preciso ficar atento a essa situação!

Foto: Blog do Pedlowski

Alcimar das Chagas Ribeiro
Sobre Alcimar das Chagas Ribeiro 1179 Artigos
Economista, mestrado e doutorado em Engenharia de Produção e Pós-doutorado em Economia. Professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - UENF

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