O bem-estar da sociedade passa pela atuação comprometida do estado e pela liberdade do indivíduo

A discussão extremada sobre Estado x Mercado precisa ser revista. Quando John Maynard Keynes, economista inglês, defendeu suas ideias sobre uma maior participação do estado em 1936, o mundo se recuperava da primeira grande guerra mundial e os Estados Unidos experimentavam uma crise econômica sem precedentes, com reflexos em toda Europa. O economista não considerava a possibilidade do livre mercado equilibrar a economia, automaticamente, daí a ideia de intervenção do Estado. Entanto, a expectativa era de ampliação dos investimentos públicos em infraestrutura para provocar o incremento de investimentos privados, com reflexos no emprego, produto e renda. Naturalmente, não estava intrínseco o crescimento do estado através da elevação indiscriminada do custeio, em amarras para favorecer corrupção e, nem tampouco, na instalação de ineficiência nos processos de gestão pública.

Nos dias atuais deturpamos totalmente esse ideário keynesiano, considerando como alternativa para o desenvolvimento e bem-estar social a presença ampliada do estado. Historicamente, o avanço do estado sobre a vida das pessoas tem acentuado o descompromisso com a competência, tem aprofundado práticas de subordinação da população e, consequentemente, o empoderamento das políticas sobre a sociedade e, fundamentalmente, tem criado mecanismos para enriquecimento de uma elite política que alimenta a concentração de renda e aprofunda a pobreza.

Nesse quadro perverso, quanto maior o estado, maior a possibilidade de agravamento da ineficiência da gestão pública, maior o processo de desigualdade social, maior a dependência da população e maior o ambiente para a corrupção. Isso não quer dizer que o estado não tem nenhum papel na sociedade. Na verdade precisamos reconstruir esse estado, capaz de fomentar um ambiente potencializador da transparência e eficiência na gestão pública; a responsabilidade e comprometimento com a sociedade; a fiscalização as imperfeições do mercado; a construção da base competitiva da sociedade, que passa pela estrutura da educação fundamental de qualidade (infraestrutura, pessoal e tecnologia); a saúde e, essencialmente, o suporte a formação de negócios (ciência e tecnologia, metodologias organizacionais e capacitação técnica e gerencial).

Um ambiente com esse desenho anima o mercado e consolida a liberdade para o investimento, produção e geração de empregos. A visão do trabalho produtivo de Adam Smith deve ser priorizada, assim como, o funcionamento do livre mercado sob a orientação institucional de práticas éticas e com respeito ao meio ambiente.

Vejam que nesse contexto o indivíduo não precisa da tutela do estado, a não ser quando doentes e incapazes. Se o estado cumpre o seu papel, os indivíduos aptos têm plena condição de evoluir, evidentemente, uns mais do que outros, já que os mesmos são diferentes por natureza. O importante é que a desigualdade hoje, tão acentuada, estrategicamente, sob a “batuta” do estado para gerar benefícios a grupos de interesse, tende a perder forças em um ambiente de maior liberdade do indivíduo e menor pressão estatal.

Nesse caso, a busca por um ambiente transformador consiste na identificação de novos processos e sem vícios. A manutenção de práticas comprometidas, onde lideranças combativas de perfil populista se apresentam com “salvadores da pátria” pode ser um grande erro.

 

Alcimar das Chagas Ribeiro
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Economista, Mestre e Doutor em Engenharia de Produção. Professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense

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