RETROSPECTIVA 2017

Brasília (DF), 22/05/2017 - Um real 1 - Moeda - Economia - Inflação - Queda - Bolsa de Valores - Valor Foto, Michael Melo/Metrópoles

O Brasil é mesmo muito diferente! Especialmente no ano de 2017 apresentou um quadro político e econômico dificilmente visto em qualquer outro lugar do planeta. Aspectos democráticos frágeis e contaminados por um processo de corrupção endêmica, políticos importantes na cadeia, denúncias sobre os principais líderes das diferentes instancias institucionais e descredito total da política partidária as vésperas de uma eleição para presidente, senadores, deputados. Apesar desse tsunami político, no contexto econômico vemos um outro país que, depois de amargar um ciclo recessivo provocado por um populismo sem critérios e favorecedor da corrupção, reage de forma descolada da política.

Como retrospectiva desse ano que termina, já podemos observar a possibilidade de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o índice de atividade econômica do Banco Central, de janeiro a outubro, foi verificado um crescimento médio de 0,74% em relação ao mesmo período do ano passado. Já os dados apurados pelo IBGE relativos ao terceiro trimestre, o país apresentou um crescimento de 0,6% no período de janeiro a setembro desse ano, com relação ao mesmo período do ano passado. O setor agropecuário cresceu 14,5% enquanto a indústria total recuou 0,9%, com a indústria extrativa contribuindo com 5,9% e a indústria de transformação com 0,3% no mesmo período.

O comércio exterior apresentou uma dinâmica excepcional com uma receita de exportação da ordem de US$209.540 milhões de janeiro até a terceira semana de dezembro e um saldo superavitário de US$64.302 milhões, representando um crescimento de 42,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No campo do emprego formal, o país criou 302.189 novas vagas no período de janeiro a outubro, com concentração em 45,9% no setor de serviços; 38,6% na construção civil e 34,8% no setor agropecuária. O crescimento médio do salário médio real atingiu 2,69% com contribuição do setor de serviços que cresceu 5,2%; setor de serviços industriais de utilidade pública com crescimento de 5,0% e comércio com crescimento de 2,2% no período de janeiro a outubro, com base no mesmo período do ano anterior.

Completando o quadro, a inflação média mensal, medida pelo IPCA-IBGE em 0,23% para o período de janeiro a novembro de 2017, foi menor do que a inflação de 0,56% apurada no mesmo período do ano passado. A queda da inflação associada a retração da taxa de juros representou mais renda disponível, mais alimentos na mesa da população e, consequentemente, aumento de 0,4% do consumo agregado das famílias no acumulado de janeiro a setembro desse ano, com base no mesmo período de 2016.

Evidente que ainda estamos longe do estado adequado de equilíbrio econômico, já que a evolução ocorre em cima de uma base fragilizada. Entretanto, a boa inserção do país no comércio exterior é um indicador importante de competitividade da indústria nacional, mesmo ainda muito concentrado no setor automobilístico e da exportação de commodities. Um ponto ainda desfavorável é a retração da taxa da Formação Bruta do Capital Fixo em 3,6% no acumulado dos três trimestres desse ano em relação ao mesmo período de 2106. A expectativa é que o investimento público e privado no país possa avançar mais em 2018 para a manutenção do quadro de geração de emprego, evolução do produto e da renda agregada. É o que esperamos!

Alcimar das Chagas Ribeiro
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Economista, Mestre e Doutor em Engenharia de Produção. Professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense

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