SJB e Pádua dois santos com riquezas diferentes

As minhas colocações sobre a importância do porto do Açu para São João da Barra são comprovadas por indicadores econômicos credibilizados. Entretanto, essas comprovações não parecem suficientes frente aos discursos vazios que são publicados em matérias jornalistas e outros veículos pelos verdadeiros interessados no projeto. Na matéria publicada pelo site EURIO, a qual eu divulguei, os executivos contestam as minhas posições.  Pois bem, aproveito a divulgação recente do Índice de Desenvolvimento Municipal, criado pela FIRJAN e faço uma comparação entre São João da Barra e Santo Antônio de Pádua. Vejam que ao logo da trajetória de 2005 a 2016 Pádua superou São João da Barra, ficando um pouquinho abaixo somente em 2007 e 2012. Pádua tem 41,3 mil habitantes e São João da Barra 35,1 mil habitantes, segundo a última estimativa do IBGE.

Municípios parecidos em termos de população, Pádua registrou em 2016 um Valor Adicionado Fiscal (riqueza gerada) de R$406,2 milhões, enquanto São João da Barra contabilizou R$2.867,0 milhões no mesmo ano, ou seja, 7,0 vezes mais riqueza do que Pádua.  As Receitas Correntes realizadas somaram R$111,9 milhões em Pádua e R$255,4 milhões em São João da Barra. Vejam que a relação percentual entre Receitas Correntes / Valor Adicionado Fiscal (riqueza) é de 27,55% em Pádua e 8,9% em São João da Barra. Para ser mais claro, Pádua absorveu 27,55% da riqueza gerada nas receitas orçamentárias, enquanto São João da Barra absorveu somente 8,9%.  Fica claro que parte importante da riqueza gerada fugiu do município.

Para completar essa simples análise, Pádua registrou um estoque de vínculos formais de 8.405 empregos, enquanto São João da Barra registrou 8.362 empregos em 2016, segundo o Ministério do Trabalho. Como pode isso? Onde estão os empregos de São João da Barra?

Já ia me esquecendo, São João da Barra é produtor de petróleo e sede do porto do Açu, enquanto Santo Antônio de Pádua é um pobre município da região Noroeste Fluminense.

Agora vocês podem responder:

Grandes volumes de recursos financeiros garantem bem estar da população?

Centenas de navios se movimentando, gerando poluição e dificultando a pesca artesanal, garantem desenvolvimento local?

Rendas de royalties e participações especiais da produção de petróleo resolvem a vida das pessoas?

Grandes empresas com capital estrangeiro explorando os nossos recursos naturais garantem a geração e distribuição de riqueza localmente?

Se as respostas forem positivas eu estou errado e “jogo a toalha”.

Alcimar das Chagas Ribeiro
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Economista, Mestre e Doutor em Engenharia de Produção. Professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense

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