Uma leitura da pecuária no estado do Rio de Janeiro

O estado do Rio de Janeiro apresenta forte desigualdade regional na pecuária leiteira. Segundo os dados divulgados pelo IBGE em 2018, a mesorregião Noroeste Fluminense com o maior estoque de vacas ordenadas, ou seja, 102.193 cabaças, equivalentes a 29,18% do total, contabilizou a segunda maior produção leiteira, equivalente a 25,69% do total do estado. Apesar do volume a sua produtividade é a quinta do estado. Com 1.179 litros vaca / ano, a produtividade equivale a 88,05% da produtividade total do estado. A desigualdade também está presente no interior da própria mesorregião. Pôde-se constatar que, o seu maior produtor Itaperuna, com 20.100 vacas ordenhadas e 18.078 mil litros de leite, só alcançou uma produtividade equivalente a 76,25% da produtividade regional.

Já a mesorregião Sul Fluminense apresentou o segundo estoque de vacas ordenhadas, ou seja, 87.874 cabeças, porém, ocupou o primeiro lugar na produção leiteira. Com 148.601 mil litros em 2018, a mesorregião atingiu uma produtividade de 1.691 litros por vaca no mesmo ano. Esse resultado é maior 43,43% do resultado alcançado pela mesorregião Noroeste Fluminense. Apesar do destaque, foi observado desigualdade interna também na mesorregião. O munícipio de Resende com 25.130 vacas ordenhadas, a maior quantidade regional, apresentou a segunda produção leiteira com 32.670 mil litros e uma produtividade de 1.300 litros vaca ano, ou seja, o equivalente a 76,88% da produtividade regional.  

O terceiro exemplo é da mesorregião Norte Fluminense. Com um estoque de vacas ordenhadas de 61.639 cabeças, produziu 82.942 mil litros no ano, atingindo uma produtividade de 1.346 mil litros vaca ano. A sua posição é terceira no número de vacas, terceira na produção leiteira e segunda na produtividade.  Diferente dos exemplos anteriores, o município de maior expressão regional, Campos dos Goytacazes, tem 40,03% do estoque de vacas ordenhadas, tem 40,36% da produção leiteira e uma produtividade de 1.356 litros vaca ano, ou o equivalente a 100,74% a produtividade regional.

Nesse caso, é fundamental ações de planejamento visando, além do aumento da produtividade leiteira no estado, a eliminação das desigualdades regionais e no interior de cada região. Um modelo piloto padrão com a demonstração das melhores praticas e estratégias de correção dos gargalos existente, seriam essências para a reorganização produtiva. A criação de uma rede de proteção aos produtores com foco na ação coletiva e na organização territorial, tornaria o estado referência da produção leira no país.

Imagem: produtor Robson Ribeiro no Norte Fluminense.

Alcimar das Chagas Ribeiro
Sobre Alcimar das Chagas Ribeiro 940 Artigos
Economista, mestrado e doutorado em Engenharia de Produção e Pós-doutorado em Economia. Professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - UENF

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